quarta-feira, janeiro 12

Uma das coisas que mais me intrigam é como mudamos de humor durante o dia. É como na minha cidade: são 4 estações por dia. Você acorda e em seu pensamento íntimo, deseja ainda ter mais 10 horas de sono.. e voltar àquele sonho inacabado, àquela doce alienação. Num primeiro momento, o dia vem como o anúncio de um inverno rigoroso, o qual não te satisfaz mas com o qual está acostumado a enfrentar. Como no inverno, você se encasula, e é difícil sair da sua boca um simples "Bom Dia" sincero. Todavia, as coisas melhoram durante o dia... passa-se por um verão agradável quando chega a hora mais esperada do dia, uma pequena conquista diária ou um simples momento de felicidade. Pode ser uma companhia especial, uma mensagem recebida, um projeto acabado. Depois vem a primavera, o notar da beleza existente nas coisas novas, nas coisas que nascem no seu dia ao seu redor. Para mim, o dia sempre termina em um outono, estação que eu aprecio muito, mas que nem sempre me traz pensamentos positivos. Com o outono me chega uma quietude e uma sensibilidade diferenciadas. Acompanhando, vem a melancolia de rabo preso.

Sempre quis montar um blog de devaneios pensando em esclarecer - para mim mesma - o caos que se passa na minha cabeça em um dia simples, comum. Hoje também tive um dia comum, com a diferença de que por sutilezas mínimas da vida eu cheguei àquele ponto que chamamos de "gota d'água". Não querendo mais uma enxaqueca ou entrar em um processo de depressão (potencializado pelo tédio) resolvi escrever, enfim!

Pois chegamos ao real objetivo desse post. Eu me considero uma pessoa esclarecida o suficiente para saber que não vale a pena remoer antigos dramas, antigos amores, aqueles fantasmas que você guarda no fundo do seu armário (embaixo dos sapatos empoeirados que você nunca usa) mas que por acaso, pela discreta ação do acaso, insistem em voltar...
Eu me considero uma pessoa sabida o suficiente a ponto de saber que o sofrimento faz parte de nossa vida, nos endurece e nos prepara para desafios maiores... eu sei que Deus está por trás disso, mas não consigo não me preocupar quando um amigo sofre.

E hoje, fatalmente, me dei conta que para não sofrer junto, a gente precisa ser um pouco egoísta. É o que muitos amigos meus andam sendo. Egoístas. Será que eles estão pensando apenas no bem deles, ou pensam também em me poupar de entrar com eles em um quartinho, úmido e gelado, o qual pode me fazer algum dano? - consequentemente, pode fazer um dano à nossa amizade.

Difícil é aceitar que cada pessoa precisa de seu momento de paz e reestabelecimento. É fácil compreender que não devemos somatizar a raiva e a dor alheia, do semelhante amado. Difícil é colocar em prática o desapego.

DESAPEGO é a palavra! Apesar de que, em certos momentos, o desapego me rendeu a fama de antisocial e egoísta. De sumida e despreocupada. Desinteressada e até frívola. Falsa amiga, nos piores casos.
Infelizmente, quando consigo NÃO ter que viver em função das pessoas, alguém me julga. Os julgamentos são inevitáveis. Preciso aprender a me desapegar deles também.


Enquanto não chego lá, fica vindo essa chata saudade para me molestar o peito...


"Pra que buscar recaída,
Reviver o drama
Mexer na ferida?
Por onde se engana o coração
Se encontra a saída pra vida

Tempo de ver que é maldade

Martelar as horas no chão da saudade
Embora agora contradição,
O tempo que pôs essa dor nessa conta
É quem desconta
Passa e te aponta ao ponto de
Sorrir mais

Soltar gargalhadas

Deixar pra trás
O que te entristece
Tece teus ais"

Bruna Caram - Gargalhadas







Ah, quanto nonsense!

Nenhum comentário:

Postar um comentário